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02 março, 2017

15 respostas que pegam mal na entrevista de emprego*

* Fonte: Jornal O Estado de São Paulo



Ter um bom currículo, com experiências reconhecidas e formação de qualidade, nem sempre é suficiente para conquistar a vaga desejada. Na hora da entrevista de emprego, a insegurança pode vir a tona e colocar em risco todas suas qualidades. Por isso, saiba quais respostas são prejudiciais à sua imagem e o que pode atrapalhar o processo seletivo. As dicas são da supervisora de assessoria de carreira da Catho, Larissa Meiglin.

“Sim”, “não”, “é”, “talvez” ou “aham”
Respostas monossilábicas transmitem antipatia e podem indicar que você não gostaria de estar naquela entrevista.

“Tenho flexibilidade de horário, mas depende do salário”
Espere primeiro os recrutadores falarem de dinheiro e benefícios. O assunto é delicado e pode te prejudicar. Também não coloque condições.

“Tipo assim, meu, tô muito afim desse emprego”
Guarde as gírias para os seus amigos ou redes sociais. Na hora de tentar uma vaga de trabalho, é melhor falar o português formal.

Falar muito “tecniquês”
Usar muitas expressões e termos específicos também vai afastar o emprego. Guarde os termos técnicos para a entrevista com o seu gestor, por exemplo. Saber se adaptar às diferentes etapas do processo seletivo é uma jogada inteligente.

“Eu devo ser contratado, pois estou há mais de um ano desempregado e preciso muito de um emprego”
Não é hora de desabafar nem de demonstrar desespero. Foque nas suas qualidades e na sua força de vontade.

“Daqui a cinco anos, eu espero ter ganhado na loteria para viver de renda”
Se for piada, pode ser que os entrevistadores não encarem a gracinha com bons olhos. Bom humor tem de andar de mãos dadas com o bom senso. Se for verdade, o RH vai achar que esse emprego não é o seu objetivo real.

“Eu não gosto de trabalhar em equipe, mas precisa, né?”
A sinceridade é importante, mas não pode ser um tiro no pé. Além disso, se você realmente não gosta de trabalhar em equipe, é indicado desenvolver esse ponto fraco. Você quer o emprego ou não?

“Estou procurando um novo emprego, porque eu detesto meu chefe atual”
Falar mal dos antigos empregadores mancha a sua imagem porque passa a mensagem de que, uma hora ou outra, você vai falar mal do novo trabalho também.

“Meu lema é: se quer bem feito, faça você mesmo”
Aqui você está claramente mostrando que não é tão aplicado no trabalho quanto deveria. Debochar dessa forma vai fazer seu currículo ir para o último lugar da lista.

“Referências minhas? Meu chefe me ama!”
Humildade é sempre bem-vinda. Isso não significa que você não deva valorizar as suas qualidades, mas sim que não precisa exibir um ego tão inflado. Se seu antigo chefe tem coisas boas a dizer sobre você, deixe isso claro sem parecer arrogante.

“Meu maior defeito? Sou muito perfeccionista”
Ansiedade, perfeccionismo e vício em trabalho não são os pontos negativos que o recrutador procura. Ele quer saber de fragilidades reais, afinal ninguém é perfeito. Uma dica é contar algo que realmente seja seu ponto fraco, mas que não é essencial para desenvolver seu trabalho. Ou demonstre de que forma você está trabalhando para melhorar.

“Isso não é da sua conta”
Esteja aberto para responder algumas perguntas pessoais. Se não quiser falar, seja breve, mas nunca ríspido.

  “Difícil essa pergunta” ou “Nossa, não sei nem como começar a responder”
Se mostrar surpreendido em uma entrevista de emprego pode passar a ideia de que você não se preparou. Estude e treine bastante antes de conversar com os recrutadores. Se ainda assim uma pergunta inesperada aparecer, tente responder rapidamente para não chamar atenção para o susto.

“Sim, meu nível de inglês é avançado”.
“Vamos fazer uma parte da entrevista em inglês, então?”
“É… hum… cof cof”
Esse é um dos maiores pecados do processo seletivo. Nunca faça propaganda de uma característica, qualificação ou conhecimento que você não possui. Em algum momento você vai ser testado – e “desmascarado”.

“Desde quando eu tinha seis anos eu já sabia que queria ser arquiteto. Um dia meu pai me levou a uma casa muito antiga…” (dar muita volta para formular a resposta)
Evite se prolongar ou fazer rodeios antes de dar uma resposta. A objetividade é importante para que você tenha tempo detalhar e contar o que é realmente importante. A comunicação clara, concisa e direta é essencial na entrevista – e no dia a dia do trabalho.

22 fevereiro, 2017

É POSSÍVEL SE DIVERTIR COM O TRABALHO?



Quantas vezes você se pegou se divertindo no trabalho?

Uma pergunta tão besta e muitas vezes tão incompreendida faz com que muitas pessoas considerem o trabalho apenas como um espaço sisudo, onde dar risada remete a dispersão e pouca produtividade. Num regime de crise e competitividade quem mais se manter no emprego é que vai levar vantagem.

Concordo que a competitividade se faz cada vez mais presente no dia a dia empresarial, mas a diversão não pode se tornar um grande diferencial competitivo para você e, por que não, pra empresa?

A má interpretação da diversão, confundida com excesso de alegria, faz com que muitos gestores, acostumados com uma liderança autocrática e virtual, não gostem de pessoas que irradiem tal felicidade, uma vez que sente sua capacidade de liderança esvair-se por entre os seus dedos.

Geralmente, quando isso acontece, ao invés de desempenhar o papel de líder, o gestor passa a querer competir com o colaborador que, em muitos casos, acaba perdendo essa competição que muitas vezes ele nem foi convidado a participar.

Falta gestores com capacidade de inspirar colaboradores a exercer seu papel com criatividade aliadas a competências estruturais que farão o negócio prosperar, fazendo com que a alegria contagie não apenas as pessoas mais também todo o ambiente.

Vale refletirmos muito sobre o assunto, afinal, é com um sorriso que todas as portas da vida se abrem!

20 junho, 2016

Perfil dinâmico e aberto ao uso da tecnologia*

* Por Edilaine Felix

Habilidades interpessoais, claro, são relevantes para o mercado de trabalho. Resiliência, colaboração e comunicação são algumas dessas soft skills requisitadas para profissionais de diferentes cargos e setores. No entanto, neste mundo online, competências mais tecnológicas e digitais, como experimentação, análise, interpretação de dados e pensamento criativo ganham importância e se destacam na trajetória profissional.


A empresa de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing Accenture realiza anualmente um estudo para apresentar as tendências de tecnologia nos próximos ano, incluindo competências profissionais necessárias para trabalhar com elas.

Para o diretor executivo de estratégia de tecnologia da Accenture, Paulo Ossamu, é necessário entender qual o impacto dessas novas tecnologias e o quanto as pessoas estão preparadas para encará-las.

Dentre as tendências destacadas no estudo, ele evidencia a automação inteligente, que, diz ele, trata-se de potencializar a capacidade humana de usar novas tecnologias. “Com tanta informação é preciso ter máquinas inteligentes para fazer a análise”, afirma.

Competência digital. Assim, dados da última pesquisa The Future of Cognitive Computing, feita com 1.770 gerentes de 42 países, sendo 159 do Brasil, mostram que para 42% dos entrevistados as competência digitais e tecnológicas são consideradas muito importantes para o sucesso da carreira nos próximos cinco anos, além de habilidades como pensamento criativo e experimentação (33%), análise de dados e interpretação (31%) e desenvolvimento de estratégia (21%).

Para Ossamu, o resultado mostra que cada vez mais o profissional deverá ser dinâmico e aberto ao uso da tecnologia.

“Nos últimos anos, o mercado deu muita importância às habilidades interpessoais e pouco para as técnicas. Agora, busca profissionais com competências mais ligadas à tecnologia, mas também pessoas que estejam preparadas para a mudança e para adquirir softs skills.”

Para ele, o desafio das empresas é gerenciar esses dois mundos. “Não vai deixar de existir o perfil atual e nem vai ser tão revolucionário o novo, mas eles terão de coexistir e conviver.”

Engenheiro aeronáutico, Leandro Pleszezak Barbosa, de 36 anos, sempre trabalhou em companhias aéreas e em setores de serviços e operações. Liderando equipes, suas competências comportamentais sempre foram valorizadas, embora tivesse a técnica sempre ao seu lado, pela formação e área de atuação.

“Em minha carreira, a inovação tecnológica, análise e interpretação de dados sempre foram importantes.” Ele conta que, nos últimos quatro anos, quando passou a assumir funções mais seniores, começou a mesclar as habilidades interpessoais e as tecnológicas.

Hoje, ele participa de um projeto da startup 3DUX, especializada na impressão para fins médicos. Segundo Barbosa, durante o desenvolvimento do protótipo é preciso conhecer toda a tecnologia envolvida e ter pensamento criativo, experimentação, mas, também, é necessário conhecer as necessidades e dificuldades das pessoas. Para isso, ter habilidades de relacionamento é fundamental.

“Mesclar as competências me ajudou bastante na minha carreira. Provavelmente, minha trajetória não se desenvolveria se eu não tivesse uma competência ou outra.”

Para ele, o diferencial de carreira e exigência do mercado será de profissionais com competências técnicas, digitais e com habilidades de relacionamento interpessoal. “Não vejo o futuro sem as duas juntas”, diz.

De acordo com a master coach Liamar Fernandes, os dois tipos de competências se complementam. E, apesar de cada vez mais a tecnologia proporcionar agilidade e tempo real aos processos, é preciso ter pessoas para interpretá-los.

Executivo busca ação equilibrada
Equilibrar as competências é um dos desafios do gerente de estratégia de tecnologia da Accenture, Douglas Silva, de 36 anos. Ele é formado em engenharia de computação com mestrado em administração e inovação pela Universidade Stanford, Califórnia, nos Estados Unidos.

“Minha formação é técnica, mas ao assumir um cargo de liderança, percebi a importância de entender de gestão de pessoas e o mestrado ajudou.” Silva conta que passou a entender que conceitos como inovação, criatividade e experimentação são fundamentais no dia a dia do líder e da equipe.

Contudo, acredita que competências técnicas e interpessoais, como motivação e colaboração, devem ter o mesmo peso na carreira. “É importante saber se comunicar e motivar as pessoas para os desafios diários que exigem ideias criativas e inovadoras”, diz Silva.

Como lembra a master coach Liamar Fernandes, formada pela Sociedade Brasileira de Coaching, as habilidades técnicas não devem substituir as interpessoais. “É necessário ter conhecimento tecnológico, mas sempre precisaremos trocar informações, fazer networking e se relacionar. Há alguns anos ninguém se importava com conhecimento técnico, mas o formato de trabalho mudou e hoje essas competências são fundamentais assim como as soft skills”, diz.

“As relações são feitas com pessoas, por isso, as habilidades interpessoais devem caminhar lado a lado com as inovação e a criatividade.”

‘Trabalhador deve rever posicionamento de carreira’
“Acredito que, em breve, as competências técnicas serão tão importantes quanto as relacionais. A interpretação de dados, por exemplo, já faz parte de departamentos de recursos humanos. As áreas (de diferentes setores e empresas) caminham para que essas habilidades sejam cada vez mais necessárias. É uma mudança importante”, afirma o CEO da empresa focada em gestão de carreiras Produtive, Rafael Souto.

Ele observa que o mercado tem adicionado pedidos de competências tecnológicas em carreiras mais tradicionais, como as ligadas a recursos humanos. Segundo Souto, em 2015, 45% da empresas pediam profissionais com habilidades técnicas, contra 20% delas em 2014.

Avaliando essa transformação, o executivo considera que o profissional deve fazer uma revisão de posicionamento de carreira. “O mundo digital já está no dia a dia. Se o profissional não atua em uma empresa de tecnologia ou em áreas que exijam competências mais tecnológicas, outras áreas das companhias, no entanto, já estão buscando pessoas com esse perfil. É preciso tomar iniciativa e buscar conhecimento.”

Gap. De acordo com Souto, o gap de oportunidade do momento está nas questões tecnológicas, que, em muitos casos, se torna um diferencial competitivo na trajetória. Nas habilidades interpessoais, ele destaca a adaptabilidade, que está conectada à tecnológica. “É a capacidade de exploração do novo. O profissional do futuro tem de ter adaptabilidade e capacidade de investigar, ler o cenário, analisar as alternativas e se mover buscando alternativas.”

Para o executivo, com o passar dos anos, as competências técnicas e digitais ganharão força e as habilidades interpessoais vão se transformando. Por ora, acredita, habilidades ligadas a tecnologia são novas e diferenciais na carreira.

“Elas estão ganhando espaço, mais ainda são diferenciais. As interpessoais não mudam com o tempo, pois as empresas continuam precisando de profissionais com habilidades sociais e de comportamento.”

Atemporal. Na opinião de Souto, as habilidades comportamentais são atemporais, mesmo com todo o avanço e necessidade de competências técnicas e digitais, o mercado sempre precisará de profissionais com perfis diferentes, e afirma: “As habilidades são complementares, elas não competem”.

O CEO reforça que muitas empresas e segmentos pedem profissionais mais ligados à tecnologia, que entendam o novo mercado, a inovação, o digital e que tenham pensamento mais criativo.