Mostrando postagens com marcador Felicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Felicidade. Mostrar todas as postagens

27 julho, 2016

Como lidar com um babaca no trabalho, segundo a ciência*

* Por Ana Carolina Prado


Não é nenhum segredo: passar o dia com gente legal pode nos deixar felizes, conviver com gente chata faz com que nos sintamos mal com alguma frequência. Mas ter de lidar com colegas de trabalho escrotos faz mais do que isso: pode prejudicar nosso desempenho profissional.

Essa foi uma das conclusões do estudo liderado pela professora Gretchen Spreitzer, da Escola de Negócios Ross da Universidade de Michigan.

Ela e sua equipe já haviam descoberto, em estudos anteriores, que perspectivas de crescimento na empresa e relacionamentos com pessoas positivas (que eles chamam de relações “energizantes”) levam a um melhor desempenho profissional e melhores resultados nos negócios.

O estudo de agora vai pelo caminho oposto: descobrir se a relação com pessoas babacas (que seriam as “desenergizantes” ) são apenas um pé no saco ou se tem consequências mais profundas.

Foram feitos então dois estudos em duas empresas diferentes. Na primeira, foi pedido a funcionários de TI em uma empresa de engenharia que avaliassem suas relações com os colegas.

Os pesquisadores também analisaram as avaliações de desempenho de cada funcionário. O resultado foi que, quanto mais uma pessoa tinha que interagir com gente babaca, menor era seu desempenho no trabalho.

O segundo estudo, feito com funcionários de uma empresa de consultoria, teve essas mesmas características, mas com uma coisa a mais: os voluntários também tiveram de responder o quanto achavam que estavam prosperando na carreira.

Os resultados revelaram que quem sentia que tinha boas chances de crescimento profissional se saiu melhor em suas avaliações de desempenho, apesar da convivência com as pessoas “desenergizantes”.

“A perspectiva de crescer na empresa atenua os efeitos negativos das pessoas negativas“, comenta a autora. E isso mostrou a ela que há algumas medidas que empregados e chefes podem adotar para evitar que esses tipos prejudiquem os outros:

Como lidar se você é funcionário

– Limite tanto quanto puder as interações com pessoas negativas e babacas, sem medo.

– Aumente o tempo que você gasta com pessoas que fazem você se sentir bem.

– Tenha certeza de que o seu trabalho é significativo.

Como lidar se você é chefe

– Defina padrões de comportamento adequado no ambiente de trabalho e cobre de seus funcionários o respeito a essas regras. Spreitzer observa que, muitas vezes, pessoas difíceis são tecnicamente boas no que fazem, e por isso há uma tendência da chefia em fazer vista grossa ao mau comportamento.

– Leve em conta o comportamento da pessoa antes de decidir promovê-las – lembre-se de que as promoções afetarão outras pessoas.

– Dê aos funcionários feedback regular sobre seu trabalho e priorize os treinamentos que envolvam cultura de trabalho e comportamento profissional.

Para a autora, tais medidas não só melhoram o dia a dia das pessoas, como também afetam os resultados da empresa – gente feliz produz mais e melhor – e aí todo mundo sai ganhando.

24 julho, 2016

Frustração profissional ronda os trintões*

Cris Olivette

Estudo aponta que os jovens com trinta anos estão insatisfeitos e só trabalham para sobreviver; especialistas dão dicas para evitar crise

Pesquisa indica que 52% dos jovens brasileiros com 30 anos estão frustrados com a carreira, trabalham para sobreviver e não fazem o que gostam. O estudo ‘Projeto 30’, feito pela Giacometti Comunicação, ouviu 1.200 pessoas dessa faixa etária.

“A baixa ‘criticidade’ de pensamento na fase escolar, somada a escolhas vocacionais equivocadas, resultam em trintões insatisfeitos com a vida profissional”, diz o coordenador do estudo, Dennis Giacometti.

Pelo levantamento, apenas 16% dos jovens das classes A e B e 15% da classe C estão realizados com o trabalho, enquanto 9% dos entrevistados de alta renda e 10% da classe C aceitariam ganhar menos para ter mais qualidade de vida. 26% dos entrevistados das classes A e B gostariam de ter uma profissão que proporcionasse mais realização. Esse sentimento é compartilhado por 28% dos pertencentes à classe C.

Giacometti diz que esses jovens podem estar conectados a tudo, menos a eles mesmos. “A ausência de autoconhecimento faz com que se deixem levar por influência de terceiros. Por não serem autores das próprias vidas, as escolhas, na maioria das vezes, são enganos.”

CEO da consultoria de recolocação profissional Produtive, Rafael Souto diz que as pessoas planejam pouco a carreira. “Elas vão indo muito pelo que aparece e olham mais a questão financeira – e a pesquisa mostra que 86% buscam isso –, mas essa não é uma estratégia sustentável de carreira. Tanto que 52% estão frustrados. Esse dado reflete o que verifico no dia a dia.”

Souto afirma que essa é uma dinâmica perversa. “As pessoas se preocupam com a estabilidade financeira e deixam de analisar o quanto aquele projeto vai impactar no nível de felicidade, satisfação e realização.”

Segundo ele, não adianta fazer gestão de carreira priorizando o dinheiro. O dinheiro é um componente importante, mas precisa vir acompanhado de identificação com a empresa, com o trabalho e com a área de atuação para que o trinômio empresa, atividade e dinheiro funcione. Se estiver desequilibrado, haverá insatisfação.”

O caso de Gabriele Costa Garcia ilustra o que foi constatado pelo estudo da Giacometti. Depois de trabalhar dez anos em um grande escritório de advocacia de São Paulo, a advogada trocou a carreira por um trabalho voltado à transformação social.

A jovem de 30 anos afirma que hoje está mais feliz e completa. “Tinha salário bacana, estabilidade e possibilidade de ascensão, mas estava infeliz. Acho importante realizar um trabalho que tenha significado para nós e para o mundo.”

Ela conta que no escritório participava do conselho de responsabilidade social e cuidava de casos gratuitos oferecidos às organizações sem fins lucrativos. Percebi que queria migrar para esse campo”, diz.

Quando isso ocorreu, Gabriele fazia pós-graduação em direito societário na FGV. “Fiz meu TCC avaliando como a responsabilidade social das empresas eleva a marca e faz com que ela seja mais reconhecida”, conta.

Em abril de 2014, ela e o marido, Felipe Brescansini, que abandonou o posto de diretor de marketing em uma empresa, fundaram a Think Twice Brasil, instituição sem fins lucrativos que usa a empatia para discutir equidade de gênero, igualdade social, responsabilidade das empresas e consumo consciente.

Antes de desenvolverem os programas que hoje são aplicados em empresas, escolas e universidades, eles viajaram durante 400 dias por 40 países que têm os menores Índices de Desenvolvimento Humano.

“Tínhamos de compreender e viver na prática os principais problemas sociais que queremos solucionar.

Fizemos pesquisa extensa sobre desigualdade social e de gênero. Nossos relatos, fotos e vídeos estão disponíveis em nosso site wwwthinktwicebrasil.org.” No momento, Gabriele está negociando a aplicação de um dos programas na Fundação Casa.
Outro jovem de 30 anos que fez de tudo para fugir da frustração profissional é Igor Morais. “Quando prestei vestibular, passei em engenharia da computação e em engenharia de produção, em universidades públicas do Pará”, conta.

Ele começou a cursar as duas. No meio do ano largou uma e no final do ano, a outra. Em seguida, começou a fazer publicidade. No terceiro ano, conseguiu transferência para a USP.

“Mas as grades eram muito diferentes. Só aproveitei quatro disciplinas e comecei novamente o curso.”

Depois de um intercâmbio em Madrid, Igor deixou publicidade quando faltava pouco para concluir e foi cursar atuação na SP Escola de Teatro. “Tinha mergulhado em um limbo tentando me encontrar, até me identificar com a carreira de ator. Hoje, pertenço ao grupo teatral Àtropical e encenamos nossa segunda peça, também tenho atuado em comerciais e estou realizado.”

Autoconhecimento é saída para evitar erro

Uma das dicas da consultora do CEOlab, Maria do Carmo Marini, para fugir da frustração profissional é investir no autoconhecimento. “Saber mais sobre você e suas características intrínsecas abre possibilidades impensadas. Outra coisa, trabalhe em uma empresa cuja cultura e valores estejam de acordo com o que acredita e valoriza.”

Ela diz que trabalhar em projetos desafiadores, que tragam novos aprendizados proporciona satisfação. “Participe de grupos de estudos, pesquisas e compartilhamento de experiências, especialmente com colegas e líderes. Além disso, procure ter um mentor experiente e bem relacionado para ajudá-lo a fazer escolhas inteligentes.”

Por outro lado, ela diz que as empresas podem adotar medidas para manter a equipe feliz. “Pague bem, crie oportunidades para que eles passem por processo de autoconhecimento, orientação de carreira, coaching e mentoria. Dê feedbacks construtivos e seja um líder ético, amigável e aberto a ouvir sugestões”, recomenda.

Fundo do poço. Graduado em gestão pública, Marcos Silveira trabalhou seis anos em uma consultoria. Com o tempo, notou que o trabalho realizado nos gabinetes estava distante da população e do que ocorria em escolas e postos de saúde.

“Tive uma grande crise pessoal e de identidade. Recolhi os cacos para montar minha própria empresa, a Datapedia que está em operação há um ano.”

O jovem de 30 anos explica que sua empresa organiza todos os dados de fontes públicas oficiais. “Unificamos e organizamos as informações de forma didática, para que possam ser usadas para pautar planos de governo e de empresas.”

A Datapedia presta consultoria a um instituto e já ajudou empreendedores a montarem plano de negócio a partir da análise de dados. “Fechamos contrato com um candidato à prefeitura de Timon, quarta maior cidade do Maranhão. Fornecemos relatório técnico contendo dados da cidade como a situação de renda da população, número de mães adolescentes etc.”

Silveira afirma que hoje está recuperado e afirma ter sido muito bom desconstruir uma imagem de perfeição ou de felicidade plena que costuma ser vendida aos mais jovens.

“A vida não é feita só de sucesso. Pelo contrário, é a partir de altos e baixos que nos construímos como seres humanos. Identificar nossas principais indignações nos ajuda a construir um propósito. Hoje, entendo que o erro é natural e é preciso dar a cara a bater.”

Quando a frustração começou a rondar a vida do urbanista Marcelo Rebelo, ele viu que era hora de deixar a estabilidade do emprego público e encarar o desafio de implementar um plano que tentara oferecer à prefeitura de São Paulo.

“O trabalho não me motivava o suficiente pra eu desejar ficar o resto da vida. Saí para criar a empresa Praças. Hoje, trabalho no setor 2,5 que está entre o privado e o terceiro setor (ONG), no qual estão enquadrados os negócios sociais.”

Segundo ele, sua empresa promove revitalizações coletivas de praças por meio do site www.pracas.com.br. “Usamos a plataforma para entender a demanda da população e desenvolver um processo de cocriação do projeto de revitalização. É muito mais prático e abrangente do que promover audiência pública.”

Rebelo, por meio da Praças, é responsável por articular a aprovação do projeto junto à prefeitura e ir atrás de financiadores para realizar a melhoria.”

Mesmo ganhando menos, o jovem de 30 anos está feliz. “Estou tocando um projeto que faz sentido e no qual eu acredito. É gratificante ver minha ideia sendo implantada. Já recuperei o investimento inicial e a empresa já se sustenta. Temos mais de 80 praças que estão demandando nossa atuação”, conta.

15 julho, 2016

Pessoas gratas são mais felizes*

* Por César Augusto

Praticar a gratidão aumenta nosso nível de felicidade. Mas por que usamos tão pouco este recurso? Que crenças nos impedem?

Gratidão é destas coisas que a gente considera um sentimento e, portanto, sente ou não sente.



Mas as pesquisas que fundamentam estudos profundos como os de Mihaly Csikszentmihalyi, Martin Seligman, Brené Brown, Shaw Achor, Sonja Lyubomirsky e do brasileiro Helder Kamei, por exemplo, vem demonstrando que a gratidão pode ser cultivada, ampliada e desenvolvida pela prática.

Não só pode como deve.

Está provado que as pessoas gratas são mais alegres e não o contrário. É justamente o fato de se abrirem à percepção das coisas boas desta vida que faz delas pessoas mais alegres e mais felizes.

Mas nem todos conseguem. Há crenças e paradigmas que se opõem à prática da gratidão e nos impedem de viver a Vida Plena.

Crenças que sufocam a gratidão

Na civilização do espetáculo, como diria o escritor Mario Vargas Llosa, valorizamos e desejamos o extraordinário, fazemos pouco caso das coisas simples, de homens e mulheres comuns, dos momentos singelos e das pequenas alegrias, que acabamos considerando uma espécie de “felicidade de segunda linha”, se é que isso é possível.

Deixamos de ter olhos de ver motivos para nos sentirmos gratos e geralmente só nos damos conta do seu real valor quando os perdemos.

Já aconteceu com você? Tenho quase certeza que sim. E arrisco dizer que foi dolorido.

Outro paradigma que nos impede de viver a gratidão é o medo de perder.

Desejamos uma vida plenamente feliz, ansiamos pelo “ viveram felizes para sempre”, sonhando com uma vida que transcorra linearmente, sem sobressaltos, sem perdas, sem equívocos, sem conflitos e, naquilo que consideramos mais caro para nós, sem mudanças.

Mas a vida é probabilística e cíclica. Não há garantias totais nem certezas absolutas. O mundo é impermanente e, por mais que relutemos, sabemos muito bem disso.

E aí está a outra armadilha: de tanto temer a perda daquilo que hoje me faz feliz, eu não me permito senti-lo nem vivê-lo plenamente.

Alegria de pobre dura pouco, é bom demais pra ser verdade, quando a esmola é demais o santo desconfia, é muita areia pro meu caminhãozinho - são algumas formas de expressar esta crença.

E então, em momentos em que eu poderia ser grato e me sentir alegre por isso, escolho me angustiar pelo medo do fim, me preocupar pelo que poderá acontecer, me reprimir para não sofrer depois.

Para ilustrar o terceiro aspecto desta breve análise, vamos recorrer a Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), em seu famoso Poema em Linha Reta:

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

(...)

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...”

Acreditar que não somos bons o bastante é outra crença muito forte, às vezes reforçada até mesmo pelos que nos amam, infelizmente.

Esta é uma conversa que costumo ter com colaboradores e voluntários que por vezes perdem a noção de sua própria importância: você tem experiências pessoais, vivências que compõem a sua singularidade e que são de valor inestimável, pois haverá momentos e situações em que você e só você poderá alcançar o entendimento maior de um problema ou de um drama humano, dizer a palavra que sensibilizará, praticar o gesto que fará toda a diferença, contribuindo para melhorar a vida das pessoas.

Somos, sim, falhos, vulneráveis, imperfeitos, às vezes ridículos e inseguros – somos humanos! E por isso mesmo somos maravilhosos.

As pessoas que escolheram viver a Vida Plena assumem a sua história, abandonam a comparação, valorizam a sua singularidade, investem em seus talentos, identificam e cultivam suas forças e virtudes. Aceitam-se como são, praticam o amor próprio, vivem e mostram o seu EU real, pois é só desta forma que experimentam a sensação de verdadeiro pertencimento, um dos ingredientes da felicidade e do florescimento.

Exercite a Gratidão - Pratique Gratidão

Há várias formas de praticarmos a gratidão e cada um deve encontrar a sua. Em nossos treinamentos ensinamos algumas delas, inspiradas na Psicologia Positiva e em fontes diversas.

Em essência, trata-se de ampliar nossa percepção para as pequenas bênçãos da vida, para os detalhes que descuidadamente temos desprezado, alegrias simples, momentos de ternura, presenças amadas, lições aprendidas mesmo na dificuldade, nossos afetos, pessoas que nos ajudaram, nosso corpo – esta máquina maravilhosa, os bens da terra, o raio de sol, sons, cheiros, sabores, texturas,  canções, sentimentos, experiências e infinitos detalhes que devemos reaprender a saborear e a agradecer.

Por uma vida mais alegre e plena, sejamos nós mesmos e pratiquemos a gratidão.

E para você que me acompanha, obrigado! Ou, como se diz hoje em dia, gratidão!

13 julho, 2016

A cultura da felicidade no ambiente corporativo*

* Por Marleine Cohen

“A felicidade é um modelo de negócio rentável. Pessoas felizes trabalham melhor e geram mais lucro às suas empresas.”

Quem faz a afirmação é o diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa, ao retomar as conclusões a que chegou a mais longa pesquisa comportamental jamais realizada no mundo, o Grant Study, conduzido pela Universidade de Harvard a partir de 1938 com 724 pessoas de ambos os sexos. Objetivo da investigação: acompanhar o desenvolvimento do ser humano a partir do impacto da sua saciedade emocional.

Observando uma série de variáveis do público-alvo – desde o relacionamento com os pais na infância até padrões de tendência a vícios, a orientação ideológica e o nível de QI –, o estudo de Harvard também possibilitou um recorte corporativo, permitindo constatar e mensurar o vínculo entre vida pessoal satisfatória, produtividade e êxito profissional: “A razão para o sucesso são os bons relacionamentos. Laços fortes e estabilidade emocional supõem confiança e confidencialidade entre as pessoas e têm enorme influência sobre a saúde do corpo e da mente”, afirma Rosa.

A adaptação dos ensinamentos da pesquisa norte-americana ao mundo corporativo coube a dois catedráticos – o escritor israelense e professor de Psicologia Positiva na Universidade de Harvard Tal Ben-Shahar e a professora de Ciência da Felicidade na Universidade de Monterrey, México, Nicole Fuentes. Ela participará da palestra “Colaboradores mais felizes, empresas mais produtivas”, a ser realizada no dia 16 de agosto durante 42º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas – Conarh 2016. O evento, promovido pela ABRH, será realizado de 15 a 18 de agosto no Transamérica ExpoCenter.

Segundo os acadêmicos, profissionais satisfeitos com os seus relacionamentos pessoais estão menos propensos a doenças crônicas e problemas mentais e de memória. “Chegam mais cedo ao trabalho, faltam menos, são mais criativos e inovadores, prestam um serviço melhor ao cliente e são capazes de interações sociais mais harmoniosas”, garante Nicole.

Com isso, ainda de acordo com os especialistas, chegam a ganhar até US$ 141 mil a mais por ano, se comparados com os seus pares que amargam algum tipo de frustração, e quando usufruíram de relacionamentos saudáveis com a mãe na infância, têm uma renda média anual US$ 87 mil maior na vida adulta. Em contrapartida, profissionais que alimentam lembranças ruins no que se refere ao convívio com os pais estão mais sujeitos à incidência de demência na velhice.

Livre arbítrio. Segundo Luiz Edmundo Rosa, um dos principais ensinamentos que se sobressai no estudo, é que “a felicidade representa uma responsabilidade pessoal, intransferível”, a despeito de as condições externas serem favoráveis ou não. Em outras palavras, no mundo corporativo é uma condição que independe de benefícios, promoções ou regalias oferecidos pela empresa.

“Desde a Revolução Industrial, partimos da ideia de que os ambientes de trabalho são tóxicos. Esta é uma herança histórica. Por isso, coube às companhias adotarem práticas paternalistas para motivar e encantar seus empregados: ginástica laborial e clubes de lazer são algumas delas”, enumera o diretor da ABRH.

O que a psicologia positiva propõe, é uma nova postura perante a vida e no campo profissional, pelo viés de relações mais harmoniosas. Esta é uma nova tendência nos Estados Unidos.

“Um líder deve ser mais inspirador que autoritário. Deve estabelecer uma relação de troca e confiança com os seus liderados e deixar claro que cabe a cada um a responsabilidade pela própria carreira e sucesso”, explica. Saber lidar com as frustrações e desenvolver a capacidade de não acumular queixas, culpas e mágoas, são, portanto, condições imprescindíveis para uma cultura do pensamento positivo.

Ao líder também cabe, de acordo com Rosa, incentivar seus colaboradores a darem o melhor de si: “Nós perdemos muito tempo focando ora os grupos de talentos, ora os que não são produtivos. Dirigimos o olhar à doença, ao mau desempenho, aos gaps negativos, comparando-os com um padrão de excelência. O que esquecemos, é que existe uma terceira fatia de trabalhadores, que não estão nem em um extremo nem em outro, e que podem se superar e dar mais”.

Para deflagrar relacionamentos saudáveis, ensina Nicole, basta incorporar e replicar na rotina pessoal e de trabalho alguns comportamentos: “Por mais que a felicidade não seja universal, práticas simples como o exercício da generosidade e da gratidão podem ajudar a sintonizar o positivismo”, sustenta ela. Cultivar o otimismo, cuidar da saúde física e mental, dedicar algum tempo a um hobby, nutrir laços sociais e saber desfrutar do momento presente também são atitudes que aumentam o tônus emocional, para benefício do trabalhador e da empresa, garante.

Avaliação de líder envolve bem-estar do time
Citada pela professora Nicole Fuentes como “uma das empresas que mais têm dedicado esforços em prol do bem-estar emocional de seus funcionários, adotando estratégias simples como a promoção da interação social entre eles”, na Google, qualidade de vida e satisfação pessoal são assuntos sérios a ponto de fazer parte da política interna.

Tanto que o googliness – isto é, a capacidade de ser colaborativo e fácil de lidar no trato profissional – representar uma das quatro características avaliadas nos candidatos a um cargo na companhia.

Ferramenta. Segundo Ana Carolina Azevedo, gerente de Recursos Humanos do Google-Brasil, faz parte da cultura da corporação vincular o sucesso do manager à felicidade de sua equipe. “Os próprios diretores têm à disposição ferramentas para mensurar os níveis de satisfação, motivação, cansaço e positivismo em relação ao futuro dos seus colaboradores”, afirma a executiva.

Na empresa, frequentes iniciativas de socialização são adotadas para promover o bem-estar dos trabalhadores: aulas de ioga e de muay tai, fóruns de discussão, semanas culturais, clubes de cultura e piqueniques são algumas delas.

Outra ferramenta à disposição do quadro de funcionários do Google-Brasil é o “G-pause”, aplicativo de livre acesso que ensina a se desconectar para recuperar o equilíbrio emocional.

Paralelamente, a companhia instituiu o “One Simple Thing” – iniciativa que permite a cada funcionário escolher uma atividade pessoal importante para ele, como buscar os filhos da escola duas vezes por semana, e bloquear a agenda de trabalho por conta dela. “Todo mundo respeita esse momento da pessoa e a própria liderança incentiva cada um a ter o próprio momento”, diz Ana Carolina.

12 julho, 2016

Celebre sua vida*

* Por Tom Coelho

A inocência e a pureza de uma criança são suficientes para ensinar aos adultos a importância de valorizar cada novo dia.



Minha filha está completando seis anos de idade. Esta é uma das mais incontestáveis provas de que o tempo voa. Afinal, ainda me recordo dela como um bebê engatinhando, pronunciando suas primeiras palavras, comemorando seu primeiro aniversário.


“A vida é muito curta para ser pequena."
(Benjamin Disraeli)

Já notou como nossas vidas parecem seguir orientadas por um piloto-automático? Acordamos em horários regulares, tomamos um café da manhã parecido e seguimos para nossas atividades pelos mesmos caminhos, enfrentando o trânsito-nosso-de-cada-dia. Quer você seja um estudante, um atleta ou um profissional, no seu destino a rotina (do francês routine, o caminho muito frequentado) lhe aguarda: uma sequência de aulas para assistir, treinos extenuantes para cumprir, reuniões ou ações operacionais para realizar. No decorrer do dia, um almoço talvez insípido no mesmo restaurante ou refeitório, alguns momentos fugazes de prazer por telefone ou pessoalmente com um colega ou familiar, fechando o dia em companhia da TV, do celular ou da internet, jantando e indo dormir, para recomeçar tudo na manhã seguinte.

Faça uma breve pausa, por favor. Coloque-se defronte ao espelho e observe como a vida está passando rápido diante de seus olhos. Cabelos embranquecem ou começam a rarear, rugas instalam-se em sua face, algumas dores ocupam partes de seu corpo. Agora olhe ao redor e perceba o mesmo em relação aos seus pares: pais, irmãos, filhos, amigos.

Minha filha me proporciona ao menos dois momentos muito felizes todos os dias: quando a desperto e quando a coloco para dormir. Ao acordá-la, com pequenos beijos e abraços, sinto o calor de seu corpo ainda pequeno e o aroma de sua pele. Ao abrir os olhos e receber seu carinho, ouço o som de sua voz e toda sua disposição por iniciar mais um dia. Ela faz questão de descer as escadas em meu colo, o que ainda é possível, e exige minha companhia ao seu lado enquanto faz seu desjejum.

À noite, após o banho e o jantar, aquela pequena mocinha, agora com longos cabelos cacheados e trajando sua ainda infantil camisolinha, sobe as escadas novamente em meu colo e por alguns minutos, antes de adormecer, conversa comigo sobre suas ideias, sobre seu sonho de um dia poder voar como uma fada, sobre como ela julga sua “vida perfeita”.

Então, termino meu dia envolvido pela alegria e tomado por reflexões. É impressionante como a pureza e a inocência de uma criança têm muito a ensinar a nós adultos sobre como valorizar e celebrar cada novo dia. Neste momento, lembro-me de Shakespeare, que dizia: “O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

06 julho, 2016

'A opção de ser feliz não é da empresa. É de cada um'



O desafio de Marcio Fernandes, o CEO da distribuidora de energia Elektro, não é apenas entregar bons resultados aos acionistas da companhia. É também colocar em prática uma “filosofia” de gestão com um idealismo incomum no mundo corporativo. Aos 40 anos, ele dissemina, dentro e fora da empresa, o conceito de felicidade no trabalho como forma de melhorar a rentabilidade dos negócios.

Há quatro anos, quando assumiu a presidência da Elektro, implementou um sistema de meritocracia no qual cada funcionário é responsável pelo próprio treinamento e desempenho e em que o diálogo franco é fortemente estimulado em todos os níveis hierárquicos. Neste mês, ele lança o livro "Felicidade dá Lucro" (Companhia das Letras), no qual descreve seu estilo e ferramentas de gestão, além de histórias de vida e reflexões que o levaram a construir o conceito.

Filho de um operário metalúrgico e de uma cabeleireira, Marcio começou a trabalhar aos 12 anos, como auxiliar de mecânico. Foi empacotador e vendedor das Lojas Pernambucanas e, com o próprio dinheiro, cursou Administração de Empresas. Em 2004, ingressou na Elektro, que tem sede em Campinas, no interior de São Paulo, cidade em que ele nasceu.

Desde então, Fernandes viu a satisfação da equipe crescer de 69% para 99%. Hoje, faz palestras para empresas pelo Brasil para disseminar sua filosofia (ele evita chamar de “modelo de gestão”). “É um resgate de valores que adoraria ver se solidificar na sociedade como um todo”, afirma.

A seguir, ele explica os pilares de sua filosofia e como ela tem impactado os negócios.

O que vem primeiro: a felicidade ou o lucro?
Sempre a felicidade. Tem gente que só tem dinheiro. E tem gente que não tem dinheiro, mas é feliz. A proposta do meu trabalho é ter felicidade e lucro. Essa combinação traz equilíbrio para uma pessoa estar bem com quem é e o que faz. Então, ela tem uma tranquilidade maior para conquistar resultados melhores – seja no seu negócio, seja na sua vida pessoal. Por isso, fazemos uma campanha muito grande para que os colaboradores consigam encontrar um propósito para seu trabalho. Quando isso acontece, tentamos convergir o propósito da empresa com o da pessoa. Normalmente, a missão, a visão e os valores da companhia estão escritos na parede, e alguém diz: “Cumpra”. Não há, em geral, intenção de convergência com os objetivos pessoais de cada um. Por esse caminho, pode ser que dê certo e pode ser que não. Quando se tem a unidade entre a missão, a visão e os valores de cada profissional e os da companhia, as pessoas trabalham de forma mais sólida em direção ao que sonham, se dedicam com mais profundidade. E a empresa se beneficia, claro, porque o profissional não estará ali só de corpo presente.

Pode dar um exemplo prático dessa convergência entre os propósitos de alguém e o da empresa?
Há muitos exemplos. Um deles é o de uma pessoa que estudou em uma ótima faculdade de engenharia, mas tinha o sonho de trabalhar na área de recursos humanos. Em uma empresa convencional, ela não deveria falar sobre isso abertamente. Porque, se o fizesse, seria vista como alguém insatisfeita com o trabalho e, portanto, como forte candidata a sair da companhia. Na filosofia de gestão que implantei, ela deve falar sobre isso. Existe um diálogo franco, aberto, transparente. Todos sabem que a pessoa tem esse desejo. Incentivamos que ela não só conte, como documente essa vontade em um plano de desenvolvimento. Assim, ela tem a possibilidade de se preparar para aquilo. Pode se candidatar para uma vaga que abrir, com o gestor dela sabendo disso. E a certeza de que não será prejudicada por essa clareza.

A empresa oferece algum suporte, como treinamento, para as pessoas se prepararem para mudar de área ou fazer uma transição de carreira dentro da companhia?
Nós oferecemos a oportunidade de ela trabalhar naquilo que sonha. Mas o modelo de desenvolvimento, cada um cria o seu. Ele é bancado pela própria pessoa. A capacitação será um esforço dela. Isso faz com que, quando chegar onde almeja, ela trabalhe com tanto amor e tanto carinho que a empresa se beneficie também dos resultados. Esse modelo faz mais sentido para nós, já que não precisamos fazer treinamento para todo mundo para funções que mal sabemos se são necessárias.

Essa mentalidade exige um comportamento empreendedor das pessoas. Mas nem todo profissional tem esse perfil. Como lidar com os diferentes tipos de pessoas?
Aqui ninguém precisa ser guiado se não quiser. Há, de fato, aquelas que querem continuar no modelo tradicional, pessoas que não querem construir uma carreira astronômica ou que querem ser o mesmo analista pleno a vida inteira. Nosso único pedido é que todos sejam honestos conosco. Se está bom para alguém ficar onde está, pode continuar, sem problemas. Mas nossa experiência mostra que mais de 90% das pessoas adoram ser protagonistas da própria vida ou da sociedade. Ao terem a oportunidade, muitas percebem que isso é legal. E mesmo esses 10% que se satisfazem com a forma como vivem, sempre têm vontade de algo mais. Ainda não conheci pessoas que não têm nenhum sonho, quando questionadas sobre isso em um diálogo franco.

Fala-se muito sobre felicidade no trabalho. A expectativa de ser feliz se tornou mais uma exigência, até uma pressão, do mundo corporativo?
É fácil fazer essa interpretação porque quase tudo o que foi feito na área da administração moderna teve segundas intenções. Por exemplo, muita gente fala de sustentabilidade como algo legal, mas, em muitos casos, não pratica o conceito. Fala do tema só com a intenção de gerar imagem e lucro. O trabalho que temos feito também tem a intenção de gerar lucro – mas desde que seja de verdade. Isto é, não podemos ter uma plataforma que não seja sustentável. Não posso criar um sistema transitório, que funciona um dia, e no outro não funciona mais. Queremos criar uma plataforma coerente. A opção de ser feliz não é da empresa. É de cada um. Mas o objetivo é que as pessoas estejam inseridas em uma plataforma coerente, que oferece chances reais para aqueles que se esforçam de maneira real. Trabalhamos para criar meios para que as pessoas sejam felizes. Sabemos que, por meio dessa prosperidade, a empresa também prospera. Em vez de criar uma máquina e usar para gerar resultados incríveis, temos que trabalhar no software. Isso significa que o que os profissionais aceitavam antes, hoje não aceitam mais. É preciso modernizar a maneira de lidar com as pessoas.

Que mudanças são essas?
Começam pelo básico, que é dar tempo para as pessoas terem vida fora da empresa. Felicidade não é ser permissivo. Nós não oferecemos presentinhos, dinheiro fácil, não somos bonzinhos. Somos justos. As pessoas têm uma predileção natural por justiça. Quando você trata alguém com transparência e verdade, a resposta que recebe é compromisso. O que propomos é uma filosofia bastante vantajosa para todos. Não gosto quando dizem que a sociedade brasileira tem baixa produtividade. Essa filosofia de gestão pretende mudar isso. Passamos a vida ouvindo sobre a revolução industrial. Mas e a revolução das pessoas?

Qual foi o ponto de partida para você desenvolver essas ideias?
As frustrações que tive ao longo da vida. Sempre quis ter um gestor que conversasse abertamente comigo, que se intereressasse genuinamente por mim. Em 2006, quando estava em uma viagem de trabalho comecei a pensar sobre esses conceitos. Quando viajo, tenho uma saudade tão grande da minha família, que fico mais reflexivo e intelectual, pensando sobre a vida com uma profundidade que, no dia a dia, não é comum para mim. A partir dali, comecei a falar sobre o tema com outras pessoas, que foram me ajudando a criar uma prática. Estamos tentando fazer todas as mudanças que sonhávamos. Isso inclui encontrar um gerente e poder conversar abertamente com ele. Contar com o diretor e com o presidente da empresa de fato. Estamos tentando mostrar que a diferença entre o colaborador e o CEO da empresa é o tempo que deu a possibilidade de ele conquistar aquela posição.

Passaram-se nove anos desde que você começou a elaborar essa filosofia. Quanto tempo leva para mudar a mentalidade das pessoas?
Dizem que a cultura de uma empresa demora dez anos para ser mudada. Na minha opinião, pode até demorar esse período determinado, mas só se for de algo ruim para algo pior. Para algo melhor, demora o tempo que dura a dúvida. Isto é, o tempo durante o qual as pessoas pensam: “Onde eu vou perder?”, “O que ele quer com isso?”. Em um primeiro momento, a tendência é desconfiar de que haja um objetivo oculto. Depois que passa esse momento, as pessoas mergulham de cabeça porque faz sentido.

O que você fez para convencer os acionistas de que uma filosofia de gestão baseada em equilíbrio e felicidade era algo no qual se deveriam investir?
Se eu disser para o acionista "vamos transformar essa empresa em um lugar feliz porque isso é legal", ele não vai se interessar. Mas quando eu falo que se as pessoas estiverem felizes aqui dentro, serão mais produtivas e a lucratividade vai aumentar, é outra história. Os acionistas são o reflexo da sociedade. Se você aplica seu dinheiro em um banco, e outro banco oferecer uma rentabilidade melhor, você não vai querer trocar de banco?

Esse estilo de gestão muda a maneira como a empresa é vista pelos clientes?
O nosso objetivo é que o cliente perceba que a atenção dada a ele ocupa 100% do tempo. Porque não há mais aqueles momentos chateados, que as pessoas têm quando não estão felizes com o que fazem.

Você, como alguns outros executivos e empresários, chama as pessoas que trabalham na empresa de colaboradores (em vez de funcionários) e trocou o nome de algumas funções. Os comumente chamados de atendentes de telemarketing são os agentes de relacionamento, por exemplo. Essa mudança pode ser interpretada como um preconceito com o significado literal das funções que as pessoas têm? Afinal, o que há de errado em ser um funcionário ou um atendente de marketing?
A lógica é simples. Quem funciona é máquina. Colaborador pode fazer algo mais do que funcionar, desde que ele queira. A perda é grande para a empresa que ainda não acordou para esse modus operandi. Já o agente de relacionamento também não faz a função exata de um atendente. Ele se dedica a entender os problemas e a trazer soluções para o cliente e trabalha exclusivamente para a empresa. Nós não automatizamos a vida de ninguém. As pessoas precisam ser proativas para ajudar a melhorar o processo – e não só para criar lucro.

Muitos CEOs relatam a sensação de solidão como um efeito colateral da posição, já que, no fim das contas, são eles os responsáveis pelo resultado da companhia. Você sente essa solidão?
Não. Nós ainda vemos no mercado CEOs que têm um elevador só para eles, um andar exclusivo, e que depois reclamam da solidão. Aquele que reclama da solidão é quem não se aproxima, que não tem interesse genuíno e está artificialmente próximo das pessoas. O executivo precisa ter um pouco de humildade para ceder seu tempo, que é escasso, e seguir o ritmo das pessoas. Eu estou longe da solidão. Mas para isso, tenho que ter disponibilidade para ser parado no corredor pelo estagiário que tem uma dúvida. É quase como optar por não ser líder em tempo integral. É aceitar que a liderança é situacional. Quando chego a uma obra, aceito ser liderado por um eletricista. Sigo cegamente a liderança dele porque é ele a referência naquele ambiente. Ele é quem vai garantir minha segurança. Participo ativamente dos fóruns com toda a equipe, da diretoria a estagiários e eletricistas. Isso tudo faz com que eu me sinta próximo das pessoas.

Uma queixa comum de altos executivos e empresários é a dificuldade de saberem exatamente o que está acontecendo nas camadas mais baixas, já que as pessoas evitam dar notícias ruins a eles.
Eu converso com as pessoas abertamente, inclusive no campo de trabalho delas, então sei o que está acontecendo. Acho lamentável um chefe ter que se disfarçar de funcionário, como fazem em alguns casos, para ter a experiência do dia a dia e ficar sabendo dos problemas. Eu adoro ser participativo. Gosto de estar com as pessoas, de ouvir pontos de vista independentemente do nível hierárquico de cada um.

Essa proximidade não atrapalha na hora de ser firme e cobrar a equipe?
A minha meta não é ser padrinho de batismo do filho de ninguém, mas também não é ser o primeiro a ir para a grelha no churrasco da equipe. Quero ser justo – e não justiceiro. Isso, sim, é crível e inspira confiança. É o que me interessa.

Como medir os resultados dessa mudança de gestão?
Faço uma correlação direta da filosofia de gestão com a satisfação dos colaboradores na pesquisa interna de clima e no prêmio Great Place to Work (GPTW). Passamos dez anos fazendo essa pesquisa e tendo o resultado de 69% de satisfação. Sofríamos para conseguir uma quantidade razoável de respostas. Quando mudamos a gestão, passamos para mais de 90% de satisfação em uma paulada só. Ou seja, existia um passivo que estava guardado em algum lugar e a gente acessou. Hoje, a pesquisa de clima que fazemos indica 99% de satisfação. Isso mostra que estimular as pessoas a voltarem a acreditar nelas mesmas vale a pena. É quase que um resgate de valores que adoraríamos ver de forma maciça se solidificar na sociedade. É um círculo virtuoso. Talvez para ter mais lucro, só precisemos ser um pouquinho mais satisfeitos e felizes.

15 junho, 2016

E AGORA?

Diante de um cenário de incerteza com relação ao futuro, muitas vezes nos perguntamos: E agora? O que devo fazer? Devo investir? Devo poupar?


Antes de responder a todos estes questionamentos, devemos voltar o pensamento a nós mesmos. No que somos bons? Quais são as nossas qualidades? E, principalmente, o que eu quero para a minha vida?  Essas perguntas tão difíceis exigem um alto grau de autoanálise que devem ser feitas de maneira honesta e sincera.



Quando fazemos essa análise, percebemos que muitas vezes direcionamos nossos esforços no sentido errado, seguindo o caminho do dinheiro pelo dinheiro, não nos atentando aos ambientes de trabalho e aos valores. E aí está o nosso maior erro. Não podemos buscar só o dinheiro pelo dinheiro (sim, eu sei que temos contas a pagar e vivemos em um mundo capitalista...), mas sim, chegarmos em uma equação que gere um equilíbrio entre qualidade e proventos. Expectativas e felicidade.

Para isso acontecer, devemos investir em nós. Buscarmos traçar metas de vida pessoal e profissional e caminhos (e também rotas alternativas) que nos levem ao nosso sucesso. Sucesso esse, baseado em um direcionamento para a vida, pelas nossas qualidades e por nossos objetivos.

Ao fazermos isso, responder a pergunta do título fica fácil: E agora? Vamos ser felizes, fazendo o que gostamos, da forma que gostamos!



02 junho, 2016

‘A paixão pelo que você faz envolve a equipe’*

* Por Claudio Marques


O espanhol Fernando Apezteguia, hoje com 45 anos, é graduado em economia pela Universidade de Deusto, em Bilbao, no País Basco. Em seguida, emendou uma pós-graduação em finanças na Universidade de Pepperdine, na Califórnia, Estados Unidos, onde acabou iniciando sua carreira. Primeiro numa empresa de medicina nuclear, depois na área financeira do American Express. Precisou voltar para a Espanha, por questões familiares. Lá, trabalhou na área financeira da tradicional varejista El Corte Inglés. Mas estava insatisfeito e aceitou o convite de uma colega para ir para a DRM Consulting. Foi uma escolha acertada. Está há 16 anos na empresa, que em 2006 passou a se chamar Everis. A consultoria é especializada em negócios e tecnologia. Na companhia, Apezteguia já atuou como consultor na área bancária na Espanha, Chile, Brasil – durante três anos –, Inglaterra e Alemanha. De volta à Espanha, em 2008, recebeu um convite que marcou uma virada em sua carreira. Montar uma filial da Everis em Bilbao. Deu certo – gostou tanto da experiência, que se refere ao escritório de filho. Há um ano, voltou ao Brasil, agora como CEO da empresa, que tem 13 mil funcionários nos 13 países onde atua, faturou ¤398 milhões no último ano fiscal, sendo que ¤ 52 milhões vieram no Brasil. A seguir, trechos da conversa.

O desafio
Em 2008, a companhia me deu um desafio completamente novo para mim: a implantação de uma filial da empresa no norte da Espanha, em Bilbao. A região sempre foi uma das mais ricas, com grandes empresas, mas não tínhamos presença lá. Eu fui. Foi uma mudança muito grande para mim, porque eu sempre tinha trabalhado com banco, e agora era para trabalhar com setores desconhecidos como o setor público, a indústria de manufatura e de saúde, mundos completamente diferente. Foi um aprendizado muito legal. Foi uma das experiências mais lindas que já tive na vida e ao mesmo tempo uma das mais complicadas, porque implicava desde conseguir uma sala para trabalhar, contratar o primeiro funcionário e tudo mais. É como se fosse seu filho.

Novas responsabilidades
Passei quatro anos em Bilbao. Com um crescimento legal, eu deixei aquele meu filho e comecei a tomar outras responsabilidades dentro da empresa e virei responsável global pelo setor de bancos. Hoje, temos escritórios na Europa, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Inglaterra e no continente americano indo desde Chile, Argentina, Brasil, Colômbia, Peru, México e Estados Unidos. Fiquei três anos no posto, e há um ano tive a oportunidade de voltar ao Brasil como responsável pela operação local. Foi um presente da vida, porque eu havia tido uma experiência muito boa naquela época em que morei três anos aqui.

Risco e avaliação
Às vezes é melhor não avaliar demais os riscos, porque se você avalia demais, você não faz as coisas. Se eu houvesse avaliado, naquela metodologia super perfeita de avaliação de risco, provavelmente eu não teria ido para Bilbao. E foi ótimo. Foi uma experiência super boa e com um resultado ótimo para a empresa e para mim.

Paixão
Quando você tem vontade, tem paixão por fazer as coisas, você não só se envolve, mas também envolve as pessoas a sua volta, isso é muito importante. Penso que eu tenho essa qualidade. Às vezes eu sou muito chato, eu sei, mas quando vejo uma coisa e entendo as suas possibilidades, eu me motivo muito, fico muito empolgado e levo as pessoas a fazerem isso também. Assim é como eu me avalio, não sei como a empresa me avalia.

Outras culturas
Trabalhar em outros países enriquece muito. Você aprende a lidar com culturas diferentes mesmo pensando que são muito similares. O jeito de pensar, de trabalhar, de se relacionar, de fazer negócios. Coisas tão simples tais como quando falar de negócios durante um almoço, no início ou no final? Existem diferenças de approach, de como você leva uma reunião. Os tempos nas decisões são diferentes nos diferentes países. Isso tudo enriquece muito e abre a cabeça para você olhar uma realidade sempre de diferentes pontos de vista. E uma das coisas, que provavelmente seja resultado de tudo isso, é que eu não tenho certeza de nada. Porque uma realidade pode ter diferentes visões. Isso eu acho que é o grande aprendizado. E, sem dúvida, acho que ajuda muito em tudo na vida.

Brasil
Penso que não só no Brasil, mas mundialmente, estamos numa mudança de era. Por exemplo, a tecnologia está fazendo com que a população peça transparência. É transparência com o governo, com o banco, com o plano de seguro, com tudo. Isso está levando a que todos os modelos que existem sejam questionados. Então, temos de mudar e as empresas têm de mudar. E o Brasil está no meio de uma mudança mundial, de era, e ao mesmo tempo em uma mudança por causa da crise. É um momento super interessante. Existem muitos talentos aqui no Brasil, há pessoas com ideias muito boas, que estão fazendo mudanças super interessantes e eu acho que o momento é muito legal no País, apesar da crise.

O profissional
Para enfrentar esse quadro, o profissional precisa de mais flexibilidade. Esse negócio de ‘eu sou treinado para fazer X e sempre vou fazer esse tipo de trabalho’, é preciso se formar para ter mais flexibilidade. Sem dúvida, devemos ter uma atualização total em ferramentas tecnológicas para entender esse novo mundo que vai mudar nossa realidade de trabalho. Tudo isso requer mais flexibilidade – é o desafio de nós todos. No meu caso, eu tenho de me adaptar muito. Provavelmente, as novas gerações, não. Já estão crescendo e se formando em uma realidade diferente. Mas para nós era um pouco ‘você se forma para fazer um trabalho e você vai fazer esse trabalho a vida inteira.’

Colaborador
Eu quero pessoas empolgadas, que vão ficar apaixonadas pelo que vão fazer. Esse para mim é um dos ingredientes mais importantes. Sem dúvida, capacitação, e essa flexibilidade. E pessoas com paixão. E eu encontro muitos talentos desse tipo aqui no Brasil.

24 maio, 2016

SOBRE VALORES E FELICIDADE...

Era uma vez um jovem ingressando no mercado de trabalho, seu sonho era ganhar dinheiro, a qualquer custo. O tempo foi passando e o preço pago foi caro. Agoniado, sozinho, triste e rico, esse já não tão jovem, buscava explicações para a falta de êxito pessoal.

Nisso, adentra em sua sala um jovem pouco valorizado na empresa, cansado de ser mal tratado, quis desabafar com seu chefe, pois não sentia mais clima por lá e, aos prantos, soltou que aquele ambiente não era pra ele.

O antigo funcionário pediu demissão e foi desenvolver novas atividades, longe daquele ambiente hostil. Concentrado no seu trabalho e nos resultados que tinha que dar aos acionistas, esse momento passou despercebido para o chefe.

Passado algum tempo, o jovem ex-funcionário prosperava em uma empresa cujos valores, ações e atitudes refletiam exatamente o seu modo de pensar e agir. Trabalhava feliz e dava resultados nunca antes vistos por esta empresa. Assim, logo passou a ser disputado por outras empresas.

Cobiçado, pode analisar cada proposta que chegava em sua mesa, até que se deparou com um pedido inusitado. Seu ex-chefe o procurara, desta vez não para lhe passar trabalho e meta, mas sim para entender como ele havia conseguido se destacar de maneira tão impressionante, sendo que anos atrás ele era um simples operário que reclamava da vida e da empresa.

A resposta foi simples e direta: aqui sou feliz porque os objetivos da empresa estão alinhados com meus objetivos pessoais e isso faz com que tudo aconteça sem que eu precise me enganar para conseguir algo, muito menos passar por cima de pessoas para galgar novos postos.

Aquilo caiu como uma bigorna na cabeça do ex-chefe, que imediatamente desabou aos prantos. Soube ali, com aquelas palavras, que sua vida profissional tinha sido trilhada de forma errada e não havia muito mais tempo para mudar.

Moral da história: mesmo em períodos de crise, busque trabalhar em empresas que tenham valores próximos aos seus. A sua felicidade no mundo corporativo depende disso,



08 abril, 2016

VIVENDO PELA FELICIDADE

Certa noite numa das minhas aulas, uma aluna me questionou sobre eu ser professor. Com tanto conhecimento que você possui, disse ela, você deveria trabalhar em uma multinacional, ganhar dinheiro, não depender tanto das aulas.

Com um leve sorriso, respondi que ganhar dinheiro é bom (afinal, quem não tem conta pra pagar?), mas nada é melhor do que ter a felicidade no que se faz, independente do valor monetário que se ganha. E assim, continuei a aula.

Nesta mesma noite, curioso com essa pergunta, me deixei levar pelos pensamentos e pelas lembranças de um passado não muito distante. O frio mundo corporativo, com suas fragilidades em torno do poder, de um cargo, de um pseudo status, me deixaram arrepiado. E, lá com meus botões, cheguei a conclusão: eu não faço parte deste mundo.



Em um mundo, cada vez mais individualista e impessoal...estar em contato com pessoas que você pode inspirar e transformar, é uma oportunidade fenomenal de aprender e de trocar experiências. Exercer a criatividade, não se limitando às paredes de uma sala de aula ou de um ambiente controlável, exercita nossa capacidade de conduzir alunos a novos patamares.

Agora, pare e pense. 

Na sua vida, você gostaria de ficar refém das regras e dos paradigmas antigos. Engessando o seu crescimento e limitando o seu conhecimento, pura e simplesmente por causa do dinheiro? Ou você prefere viver com sorrisos, sonhando e inspirando de modo a transformar pessoas e ainda assim, ser remunerado por isso?

Eu escolhi seguir o caminho da FELICIDADE.




29 março, 2016

REPENSE A SUA VIDA!

Quantas vezes você já se pegou reclamando da vida, do trabalho, do trânsito maluco de uma cidade grande? Você já pensou que tudo isso pode ser estresse causado pelo modus operandi que levamos?

Sim, devemos batalhar por um lugar ao sol. Trabalhar, trabalhar e trabalhar virou lema de uma geração que não teve tempo de viver... e esse geração formou filhos dependentes, que viam na rotina dos pais o melhor jeito para se levar a vida.

E lá fomos nós, cantarolando felizes e contentes: "preciso trabalhar, preciso ganhar dinheiro...". E, sugados por este espírito, achamos tudo isso normal. Mas chega uma hora que é preciso dar um basta nisso tudo e repensar a vida!

Deixar de lado tudo aquilo que nos deixa infelizes e partir em busca de novos rumos se faz necessário quando entendemos que não precisamos viver só para ganharmos dinheiro, mas sim ganhar dinheiro com aquilo que nos deixa feliz e que nos motiva.

Afinal, quem não quer conciliar trabalho e prazer? E ainda, ganhar dinheiro fazendo aquilo que ama?

Deixar de lado o viver pelo trabalho, para viver em plenitude com o eu interior é o começo da transformação. Se conhecer efetivamente, por meio de uma análise SWOT da sua vida, entendendo seus pontos fortes e fracos e, ao mesmo tempo, buscar oportunidades e identificar ameaças a sua felicidade, é um ótimo ponto de partida para isso.

Seja diferente do modelo padrão. Porém, sei que tudo isso, nos dias atuais, pode parecer utopia. Mas, se deixarmos de pensar apenas no capitalismo das coisas e vivermos pelo capitalismo do eu, nossa vida se transformará.

Isso aconteceu comigo. E pode acontecer com você. Conecte-se com você, reflita sobre suas atitudes, e repense a sua vida para ser feliz!